sábado, 19 de setembro de 2015

Segmento

Num segmento de eterno se designa todo o nosso ser. De um mesmo que em elementos se multiplica e, qual valsa, nos desenvolveu a existência.
 Somos células de uma mesma. De nós dependemos todos nós.
 Na procura de um Deus perdemos a noção do mesmo, desacreditando a nossa própria evolução, desacreditando assim o próprio criador. Como se da religião surgisse a falta de crença na própria criação.

 Sou sangue do meu próximo, sendo humano ou não o ser. Somos companheiros de uma mesma caminhada e descendentes de uma só sobrevivência. Ouriça a minha pele. A mesma que em pelo irto meu antecessor ficava. 
Pela face o oceano que partilhamos me inunda..pela noção da falta de humano no ser, mas tanto mais pelo espanto de tamanho feito.  
 Sou parte de todo um todo em que tudo se mistura e de tudo se depende, como o crisol da vida, em que o relativo tamanho difere  mas onde toda a relação se mantem.  Lastimo quem vê por perifería. Quem nega a beleza da interligação que nos rodeia. Só assim se admira o real tamanho do criador.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A eterna ilusão do Homem-Deus!


Um mundo em ponto de fuga.

Onde em seu núcleo o ser se inventa em trémula realidade, na falsa noção do inatingível.

Na noção de perfeita realidade foge o trémulo ponto do ser. E no núcleo do imperfeito se reinventa o falso,

Foge o ser em extinção. Tremendo-lhe as mãos em espécie.

No ridículo da realidade imperfeiçoa-se o inatingível, tornando bamba a espécie.

Treme o mundo, trémulas as pernas. Ponto do imperfeito onde o ser se altera. No sonho do ser se atinge o núcleo do mundo, e tudo flutua.

Cai o Homem em sonho. Revolta-se a noção de espécie e renova-se o perfeito por nossa própria vontade.

Um "nós" que não nos pertence.

A eterna ilusão do Homem-Deus.

Foge a realidade em extinção e, trémulo, o ser, em espécie, flutua.

Cai o sonho da nossa vontade.

Acorda...

É realidade!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Gente


Tudo o que em torno de nós navega,
Tudo o que à nossa volta nos olha,
Tudo! Da terra, ao caminho, à folha,
Ao fogo apagado que ainda fumega.

À rua triste que se perde no vento.
Que vagueia no vazio de quem passa.
Ao virar a esquina se desgraça
E se deixa arder num fogo lento.

Que momento!...Só os fogos tantos!
A noite cai depressa e ardente,
E o sisudo mendigo além a frente

Que resmunga os seus tantos prantos
E balança ao som de falsos cantos,
É a glória deste pouco de gente.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Poema da Falsa Solidão


Quando Ao passar no teu jardim,
Teu perfume sinto, assim,

Me enfeitiçar, como acalanto.


Meu caro,
Vejo-te junto à luz da entrada

A emprumar a tua prumada,

A disfarçar o olhar em mim.

Quando
Passo na rua de trémula luz,
Imagens, desejos, teus olhos azuis
Como absurdos beijos na alma minha.

É raro
Me encontrar longe da rua
A imaginar que não sou Lua
Para te iluminar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Esperar


Nao sei se sei Esperar.

Apenas sei que a própria espera se enrola em si mesma e se multiplica em "n" esperas que não me deixam esperar.

Sai de mim uma fobia que esta espera se torne eterna e não consiga mais esperar.

Espero algo que me deixe onde eu quero estar. Onde me espero a mim mesma e me canso de esperar.

Espero resposta ao final do dia, de algo que me diga quanto tempo amanhã terei eu que esperar.

Espero o futuro que tarda em chegar. O pente fino que me resolve a vida, e o caminho entupido que constantemente me faz parar.

Não sei se espere. A própria esperar têm que esperar.

Fujo de tanta espera, para mais espera confrontar.

E espero. Espero este tanto desespero de tanto esperar.

Espero o que ja foi.

Já me canso de esperar.

Espero!

E já vem e já vem e já vem e já vem e já vem e já vem...

sábado, 8 de agosto de 2009

Palavrot


O improviso de uma mão vaga dançando pelas letras uma valsa mansa que tonteia as palavras.

Esvaem-se em mar pelo torto das mãos ensimesmadas, que teimosas divergem e criam ideias perpendiculares, desfazendo da criação o sentido.

Exaltam-me as palavras em meu redor. O meu espaço invadido de ser e ideias feitas. E o pontapear do sentido na ponta dos dedos.

Tanto sem sentido num tão tolo "mesclar" de palavras que do ar me passam para o branco silêncio do tonto de um blog.

domingo, 5 de julho de 2009



 Palavras que me saiem da mente e explodem numa supernova de mundos que se cruzam entre sí. 

 Palavras que se encontram e flutuam sobre a ideia feita do ser,  sobre paragens de tempos que tornam cada momento perpétuo e útil. 

 Serei perfeição no sonho e intenção na razão.

 Onde cada um de nós se torna ensimesmado e concluído. 

 Onde cada um de nós se torna num grupo de seres reais. 

 Serei eu mesma e todos num só gesto, eu e pedacos de mim que me rondam, aos quais chamo amigos e realidade. Estrelas de céu que preenchem o meu próprio. 

 Dimensoes paralelas que me perceguem o pensamento...